Crónica e um Prisioneiro - Ao Acaso
  Por: Mattusstyle em 02.12.2020 às 13:51

Um dia qualquer de meados do mês de Março desta quarentena. Era suposto ser um dia alegre de pré Primavera, e pelos vistos é um dia triste não da "Prima Vera" mas da "Tia Vera" carrancuda.
O tempo está indefinido. Não chove mas também não está sol. Quando este aparece é muito tímido e com uma aragem sempre fresca. Um dia taciturno e triste, tal como a generalidade das pessoas, que esperam ansiosas pelo desconfinamento!
Olho o exterior e uma visão engraçada fixou o meu olhar. Nas chapas húmidas dos telhados das garagens, apareceram duas gaivotas ou gaviotas como dizem os espanhóis. Gatos e gaivotas num convívio tranquilo. Os gatos adultos dormem pachorrentamente, enquanto os seus rebentos, filhotes brincam com aquelas aves marinhas, indiferentes à diferente condição. Circulam à volta uns dos outros com toda a naturalidade como se o fizessem desde sempre. Estas aves bicam o que parece ser comida. Aparecem pombas no mesmo espaço e acontece o mesmo à vontade.
Por uma nesga de espaço deixado pela cortina, observo tudo isto. Como vieram aqui parar estas gaivotas, se a distância do mar é razoável? Correm bisbilhotices no jornal do soalheiro, que a Câmara instalou nos ares da cidade de Guimarães estas aves costeiras, para que comam os ovos das pombas, e assim, estas não se dissimilarem, e segundo eles acabar com a praga das pombas. Não deixa de ser um atentado. As associações de defesa dos animais já se manifestaram contra esta medida. E como é lógico, a autarquia negou!
Um bando de pombas passa voando a meia altura e as gaivotas foram com elas. Há vida a acontecer com outros seres.
Eureca, vi dois gaios! Em tempos normais seria difícil!
As nuvens tornam-se carregadas e pintadas de uma cor cinza escuro. Lançam pequenas gotas de chuva. Consegue ouvir-se o seu som ao encontrarem-se com as folhas das árvores.
Se estivermos atentos, verificamos que acontecem coisas que antes da pandemia não aconteciam. Porque será? A Natureza caminha mais livre. Não enfrenta tantos obstáculos que lhe eram colocados pelo homem. A chuva está a engrossar e bate no parapeito da janela salpicando a vidraça. Olho lá para fora e noto que cai mais intensamente. Ninguém circula. Por causa do vírus e também pela chuva.
O tempo não corre, caminha devagar. Sem que dê por isso, dou por mim a pensar no nada. De um episódio de uma série de televisão e de dez páginas de um e outro livro que não acabo de ler. Depois acordei para a realidade. Senti os olhos cansados. Esfreguei-os para retirar a névoa que sentia e recostei-me no sofá. Distraí o olhar através da porta da sala.
A realidade lá fora é silenciosa. O tempo contínuo taciturno e cinzento. A minha cara-metade está nervosa com tanto trabalho fora das rotinas habituais a tomar conta dos seus dias. Acabaram-se-lhe os cigarros. Vou ao café comprar-lhos para se acalmar.
Corri o fecho da casaca azul até cima por causa do vírus, um frasquinho com spray de álcool no bolso, uma máscara na cara e lá fui.
Duas pessoas dentro do café e três à porta, incluindo eu. Uma senhora de meia-idade, mais meia que menos meia desabafava em voz alta. Já não podia passar o dia com as suas amigas e sentia-se muito sozinha. Montei um sorriso amarelo no meu rosto e dei-lhe alguma treta sem nexo, mais para não estar calado. Já tinha reparado há tempos atrás naquela e outras senhoras de certeza reformadas a passarem as manhãs e as tardes sentadas numa mesa do canto. Consumiam alguma coisa e o resto do tempo a fazer sala e a bisbilhotar umas com as outras. Mais parecia um centro de dia! Foram arrancadas brutalmente às suas rotinas pelo maldito vírus.
Regressei com o tabaco e estatelei-me no sofá a pensar nesta situação. Ninguém merece o que nos está a acontecer.
O Fernando Miguel anda mais calmo. Comprou via internet, uma barra extensível para por no vão da porta para fazer flexões, e assim gastar energias a retesar aqueles músculos que até impressiona!
Tenham calma e paciência minha gente.
Um abraço digital solidário.
Mattusstyle


COMENTE - CLIQUE AQUI

  Um Paraíso em Recursos Naturais!
  Por: Mattusstyle em 19.09.2020 às 18:45

Esta Angola é riquíssima em belezas naturais com paisagens belas de sonho de cortar a respiração. Um espetáculo vivo em formações rochosas, cascatas, praias, lagos e lagoas e extensos rios.
A capital deste país é Luanda. Angola localiza-se entre o equador e o trópico de capricórnio na África profunda. A norte e a leste situam-se o Congo e a Zâmbia, a sul a Namíbia, a oeste o mar, o oceano atlântico. A sua população atual anda à volta dos cerca de 13 milhões de habitantes. A maioria habita a orla costeira e no planalto central do Huambo. Há muitas etnias em Angola. Por isso, existe uma grande diversidade cultural. Fala-se o português oficialmente. Mas existem mais de quarenta dialetos. Os mais falados são três: O Quimbundo numa zona um pouco a norte e a sul de Luanda. O Quicongo a norte e leste de Angola e o Umbundo a sul.
A cultura manifesta-se em muitas áreas: Música, pintura, dança, escultura em madeira, e a gastronomia.
No que toca ao clima há apenas duas estações. A estação das chuvas onde o calor aperta mais e a estação do cacimbo mais fresca sobretudo à noite. É a estação seca, pois nunca chove e vai de Junho a Agosto.
Turisticamente tem imensas potencialidades e é um destino muito apetecido. Basta ser África onde há muitos mistérios para descobrir.
Tem de tudo um pouco o que é muito: Florestas tropicais luxuriantes e desertos, muitos e ricos rios, lagos e lagoas com lindíssimas quedas de água. Quedas de Kalândula por exemplo, montanhas e formações rochosas como as de Pungo Andongo, muitas grutas e cavernas e praias lindíssimas de sonho como o Mussulo.
A flora e a fauna são riquíssimas neste país africano. A fauna especialmente tem todo tipo de animais domésticos e selvagens. Angola tem demasiadas maravilhas do mundo.
Os governantes devem pensar na preservação de todas as espécies, sejam elas animais ou vegetais. Possivelmente é isso que estão a fazer.
Vou enumerar alguns animais que habitam as florestas de Angola: Elefantes, leões, Antílopes, zebras, gazelas, rinocerontes, girafas, avestruzes, macacos, gorilas e tantos outros.
Não sei se fazem eleição das sete ou mais maravilhas, pois estas são inesgotáveis.


COMENTE - CLIQUE AQUI

  Crónica de um Prisioneiro IV
  Por: Mattusstyle em 01.06.2020 às 09:53

Ano pneumónico, epidémico, pandémico e sei lá mais o quê de 2020.
Antes desta desgraça vírica e devido à agitação constante do dia-a-dia, não tínhamos tempo para reparar nas pequenas coisas que a aconteciam à nossa volta. Agora talvez devido ao momento que atravessamos, e que o tempo sobra e corre demasiado devagar, não consigo evitar de olhar para os pormenores. Nunca na minha vida tinha reparado nos pequenos acontecimentos, nas vidas que acontecem perto de nós com outros seres vivos, sejam eles animais ou plantas. As janelas nunca foram como agora, observatórios privilegiados.
Até as sombras que vagueiam quando a lua faz a sua aparição no céu e o dia vai dando lugar noite, nos despertam o olhar!
É Sábado, 2 de Maio, the day after do trabalhador. O tempo rompeu lindo pela manhã. Melhor que ontem. Teimaram em festejar o que não deviam, devido ao momento difícil que atravessamos, e por isso o tempo não colaborou. Não seria por um dia no ano que perderiam influência se não fizessem a sua propaganda ideológica. Já a perderam há muito tempo!
Hoje o sol apareceu tímido mas foi aumentando de intensidade ao longo do dia, embora se mantivesse numa forma moderada. Não parece que estamos na Primavera mas numa carcomida coronatiavera.
Uma ou outra alma penada sobe e desce no passeio da avenida. Já circulam mais carros que nos últimos dias, se bem que de maneira algo dispersa.
Com o confinamento fazemos quase todos os dias a mesma coisa. Estamos a tornar-nos autómatos e em muitos casos a ficar paranoicos. É uma triste realidade.
Por vezes dou comigo a pensar na demasiada mediocridade dos nossos governantes, dos políticos em geral, do parlamento e dos nossos sindicalistas. Que pobreza franciscana!
No telhado das garagens, as pombas circulam à volta dos gatos que dormem, aproveitando a pachorrice que o sol provoca, indiferentes ao que as aves da cidade fazem junto a si.
Nesta altura do ano as árvores estão todas verdes. Uma leve brisa faz abanar as suas folhas.
Vejo gente sem proteção alguma a despejar lixo nos contentores. Dos adultos que caminhavam nenhum usava proteção. Apenas uma criança tinha a máscara colocada.
Hoje é o descanso do guerreiro da minha gente cá de casa.
O Domingo seguinte, 3 de Maio, nasceu lindo, talvez por ser dia das mães. Um sol agradável e a prometer calor, apareceu pela manhã. O corpo começou a sentir um ligeiro calor apetitoso a obrigar a retirar alguns agasalhos. Calor mesmo!
Este calorzinho levou a que algumas flores das árvores vizinhas, libertassem uma espécie de farrapinhos de algodão parecidos com sumaúma, que balançam no ar embalados por um vento suave vindo do noroeste. Este pó em forma de algodão, penetra casas adentro e entra na respiração, provocando em muitos casos alergias e incómodos nas vias respiratórias. Algumas destas árvores foram abatidas, mas outras mantem-se. A autarquia acha que são típicas da flora local e teima por isso em mantê-las. Paciência! Fecham-se portas e janelas.
Quanto ao levantamento parcial do confinamento, tenham cuidado, porque vão aparecer mais contágios.
Fiquem bem, fiquem em casa. Abraço a todos.


COMENTE - CLIQUE AQUI

  Luanda como eras Linda!
  (Devaneios - A Minha Poesia)

  Por: Mattusstyle em 10.05.2020 às 21:32

Luanda, como eras linda!
Quando te penetrei e conheci,
O cheiro das acácias o sinto ainda
De quando no teu regaço adormeci.

Ao longo dos anos te percorri:
As tuas ruas, as tuas praias, tudo enfim.
Aventuras e desventuras em ti vivi,
Forte e intensa saudade ficou em mim.

Com o teu cheiro a mar me embeveci
Tinhas encanto, feitiço e fantasia.
Nos teus recantos me encontrei e quimeras vivi
Todos os instantes, com farras constantes e alegria.

Nos teus limites deixei-me dormir,
A tua cultura doce e madura absorvi,
Os cheiros, aromas intensos bem os senti,
Tudo foi bom no meu coração e sempre a sorrir.

Nas curvas do teu corpo eu caminhei,
Movimentos suaves e lentos todos sentidos.
Nos campos e ringues desportos pratiquei,
Sentimentos e muitos momentos fortemente vividos.

Marquei o destino e as tuas margens galguei,
Percorri lugares e naveguei nos teus mares.
Das tuas comidas e muitas bebidas sempre gostei,
Condimentos da vida que temperam os recordares.

Um dia parti. Disse-te adeus e fui embora,
Não queria, mas tudo na vida tem o seu fim,
Saí de dentro de ti porque chegou a hora,
Mas tu nunca saíste de dentro de mim.


COMENTE - CLIQUE AQUI

  Desejo Estranho
  Devaneios - A Minha Poesia (Mais Intimista)

  Por: Mattusstyle em 21.04.2020 às 17:13

Sonhei que era sortudo
Mas não era nada,
Sonhei que tinha tudo
E tudo me faltava.

Que era imortal, sonhei,
Mas não era,
A vida não é uma quimera
Como muitas vezes pensei.

Vagueou meu pensamento,
Deitei-me entorpecido
Sozinho no apartamento
Acordei sem ter adormecido.

Estático e em movimento
Vagueava na solidão
Ouvindo o batimento
Do meu pobre coração.

Não sei se fico ou se parto.
Ficar só à condição!
Na solidão do meu quarto
Não sei se parto ou não.

A vida vai-se num suspiro
E a morte não escolhe idade,
Se viver eu não respiro,
Se morrer deixo saudade.

Com a luz acesa não vejo,
A escuridão dominava,
Fecho os olhos e bocejo
Mas não se passava nada.

Deslizam meus pensamentos
Em paisagens pitorescas,
Imagens negras e grutescas
Em pequenos fragmentos.

Um pesadelo terrível
De um mundo conturbado
Num ambiente horrível
Acordei sobressaltado.

Ao lembrar-me o que sou
O que deveria ser
Sem saber a onde estou
A quase desfalecer

O que podia fazer por alguém
O que não faço por ninguém
O que sonho sem dormir
Tentando-me redimir

O que olho sem ver
Dentro e fora de mim.
Porque estou a sofrer?
Porque me sinto assim?

Decisões mal paridas
Que nos querem impingir
Que mechem com nossas vidas
E não podemos fugir.

O que sofro sem sentir
Daquilo que está para vir,
O que digo sem falar
A escrever ou a cantar.

O que espero sem esperança
O esperar que muito cansa.
A certeza que perante a morte
Nada sou sem ter um norte,
Me faz sentir e querer
Desejo incoctível de sofrer.


COMENTE - CLIQUE AQUI

  Polícias e Polícias
  Por: Mattusstyle em 19.04.2020 às 17:13

Um dia qualquer de um determinado mês de 2014.
Um grupo de pessoas conversavam numa pequena festa em convívio social. Às páginas tantas, a conversa descambou ligeiramente. E descambou porquê? Porque alguém se lembrou de dizer que um determinado polícia foi prepotente e inconveniente, só porque foi contestado nas suas atitudes. A reação de um elemento desse grupo não se fez esperar. Era polícia! Alguém contava o mau comportamento de um determinado polícia, e ele tomou as dores de toda a classe. Achou que foi reação a outro mau comportamento, e aí se iniciou uma discussão acalorada.
Se falas mal de polícia a outro polícia, tens a corporação toda às costas. Isto faz-me lembrar aquela situação em que um utente de um determinado hospital se queixou de um médico por conduta inadequada à sua profissão, caindo-lhe em cima toda a ordem dos médicos.
Esta situação transporta-me a outros casos passados nas finanças. Há muito tempo, talvez no tempo da outra senhora, como se diz muitas vezes, mais do que uma vez em repartições de finanças deste país, assisti à prepotência e má formação ou falta dela a atitudes de arrogância para com alguns contribuintes. Para aqueles funcionários, todos os contribuintes sem exceção, são incumpridores, caloteiros e vigaristas. E falavam do cimo da burra para as pessoas que apenas precisavam dos seus serviços. Afinal estavam a ser pagos para prestar esse mesmo serviço! Os tempos mudaram e as pessoas já conhecem os seus direitos, e por conseguinte caíram da burra abaixo. Mesmo assim, há alguns que ainda não perderam completamente os vícios, restando nalguns casos alguns resquícios daqueles tempos.
Estava a falar de polícias não estava? Desculpem.
Ora bem, naqueles tempos a maioria dos recrutamentos eram feitos atrás das pedras a indivíduos incultos que viviam em aldeias do interior sem formação académica. Até se dizia que só ia para a polícia quem não sabia fazer mais nada! Atualmente já não é assim. Hoje a sua maioria já tem cursos secundários e universitários e muitos andam lá, uns por vocação e outros porque não arranjaram colocação nas áreas que estudaram. Por isso mesmo já não são desculpáveis certas atitudes.
Pouco antes desta situação, alguém à saída da autoestrada, foi apanhado sem o documento da inspeção do carro. Na realidade não estava feita. Esquecimento. O polícia, simpático, disse para num prazo de vinte e quatro horas apresentar os documentos numa esquadra, pagando a respetiva multa. Esse alguém assim fez.
Dirigiu-se à esquadra mais próxima da sua residência e começou a expor a situação a um polícia fardado, por sinal educado. Eis que foi abordado por um fulano que o bombardeou com perguntas duma forma agressiva e autoritária, gerando-se uma troca de palavras um tanto tempestuosas, devido a mal entendidos e à sua agressividade. Só quando terminou a discussão é que esse alguém soube que era um polícia à paisana. Não havia necessidade daquela demonstração da sua autoridade, pois agressividade gera agressividade. E também como não tinha farda devia ter-se identificado, pois que uma placa de identificação devia ser obrigatória. Houve descontrole de parte a parte e dentro desse descontrole disseram-se coisas desagradáveis uns aos outros. Como autoridade acha que tem sempre razão, descontrolando-se ainda mais. O caldo estava mesmo entornado! A agressividade dele aumentou e ameaçou prende-lo. O fulano encheu-se de calma e respondeu-lhe para estar à vontade se achava que tinha razões para isso. Não passou a vias de facto e a situação ficou por aí. Mas esta cena devia ter sido gravada em vídeo! Este caso só visto, porque contado ninguém acredita! Foi isto que aconteceu. O polícia no referido convívio não acreditou. Argumento para cá e argumento para lá, nasceu nova discussão.
No auge da mesma, acabou por referir que os utentes da via pública são todos maus condutores, incumpridores das regras de trânsito e merecem tudo de mal que a polícia lhes possa fazer.
Toda a gente acha que a caça à multa é uma prática generalizada e muitas vezes é pura perseguição à mesma.
Diz-se e muito bem que em termos de saúde, mais vale a prevenção que a cura. Ora no tocante à polícia devia ser o mesmo. Em vez de circularem mostrando-se para os condutores e não só, terem algum respeito, escondem-se em sítios estratégicos para apanharem as vítimas em flagrante multando-os. Esta situação é frequente e revolta as pessoas. Por isso não se admirem da animosidade demonstrada a esses agentes da autoridade. Podia e devia ser diferente.
Nesse convívio, esse agente contou uma cena: (Citação) Aqui há uns tempos, multei um fulano porque não trazia cinto. Pediu-me para não aplicar a multa e veio com uma conversa a fazer de mim parvo. Não cedi. Quando ia embora, percebi perfeitamente que me chamou filho da p*ta. Chamei-o novamente e aplique-lhe multa por falta de triângulo, falta de isto e falta daquilo. Ele tinha essas coisas mas se fosse a tribunal era a minha palavra contra a dele. Vinguei-me. (/Citação).
Aqui está um polícia vingativo. Como toda a gente sabe, os polícias andam armados. Por acaso esta vingança foi com multa por infrações que não eram. Imaginem que um ou outro agente sedento de vingança puxa de pistola e por dá cá um palavrão qualquer, dá um tiro num desgraçado. Isto é muito perigoso! É este poder usado de uma forma manhosa, que deixa o cidadão comum desprotegido perante a justiça. Por falar em justiça, não é justo!
É certo que não morreu ninguém, mas faz-nos pensar na forma como agem muitos agentes e da forma prepotente como exercem a sua autoridade. Que segurança nos dão estes agentes? Em que tempos e país estamos para se achar que isto é normal! Claro que há polícias e polícias, não são todos iguais mas a maioria das pessoas tendem a generalizar.


COMENTE - CLIQUE AQUI

  Crónica de um Prisioneiro
  Por: Mattusstyle em 18.04.2020 às 17:13

Dia 16 de Abril do ano civil de 2020.
Acordei à hora do costume. Boca a saber a papel de música e uma sensação estranha de falta de ar, mais psicológico que real, a tomar conta de mim. Abri a janela. Tudo sereno à volta do meu espaço. Respirei fundo. A espaços um carro ou outro passa na avenida e o trabalhar do motor entra-me pelos ouvidos. O tempo está assim, assim. Nem bom nem mau, antes pelo contrário! Quanto ao resto, calma, quietude e silêncio.
Uma leve brisa bolia com as folhas nas copas das árvores. Um bando de pombas procurava alimento nas traseiras do prédio. Alguém atira de uma das janelas, pedaços de pão. Juntam-se mais pombas e alguns pássaros e atropelam-se na ânsia de poderem matar a fome. O bando aumentou substancialmente. Todos juntos disputavam cada pedaço daquele pão. Estavam tão juntos que não respeitaram o distanciamento social. Nem precisam. A ira da pandemia não os atinge. Só se abateu sobre os homens. Um melro de bico amarelo bebe água na fonte indiferente à luta pela comida travada pelas pombas. Pela madrugada, 8:30, vou para a casa de banho fazer a higiene diária. Dou de caras com um fulano com olheiras e cabelo despenteado do outro lado do espelho. Pura e simplesmente ignorei-o!
As picadinhas no dente alertaram-me para tomar os comprimidos. Tenho de ter algo no estomago. Para isso vou preparar o pequeno-almoço, aquilo que os brasileiros chamam café da manhã. Pão integral torrado com fatia de queijo magro em cima enquanto o pão está quente. Claras de ovo mexidas. Á volta banana porque tem magnésio. Morangos, kiwis e meloa porque hoje não tenho papaia. Para terminar, leite magro. Ah, e os comprimidos!
Vão faltando alguns alimentos acessórios. O Fernando Miguel tem pouca paciência para as compras, e nem sempre traz tudo que lhe pedimos. O receio e o medo leva-nos ao recolhimento e a ficar presos na nossa própria casa! Aos poucos uma melancolia vai tomando conta dos nossos espíritos, transformando para pior os nossos semblantes, assim como facilidade de irritação por coisas menores.
É assim a vida! De um momento para o outro tudo se transforma mas nada se perde. Não é bem a lei de Antoine Lavoisier mas quase.
Tenho a sensação que o humor que me carateriza, está a ser substituído por um sentimento de medo, revolta, culpa e impotência perante a calamidade covid!
Muitas coisas boas vão aos poucos sendo vencidas pelo desânimo e incapacidade para lutar contra um inimigo que não vemos. Poderá estar à nossa espera na próxima esquina para nos atacar.
Sim, eu sei, não devemos baixar a guarda e ter resiliência porque a meta da vitória pode estar próxima ou já ali.
Novas formas de viver estão todos os dias a cair-nos em cima. Temos de mostrar ao mundo a nossa capacidade de adaptação às novas realidades. É espantoso como o sentido das coisas muda de uma semana para a outra! Como ir ao dentista possa parecer um ato libertador. Um pequeno passeio a Vizela. Porquê Vizela? Porque é lá que está a dentista! O que tem de ser tem muita força. Tinha de acabar com o problema grave do sizo. A vontade de desfrutar da liberdade, de respirar um ar diferente, de ver a força da natureza, a pujança da Primavera, sobrepôs-se ao medo de ser infetado. Sentimentos contraditórios mas reais! Tomei todos os cuidados e soube-me bem o passeio, apesar do motivo não ser o melhor. Nada mudou mas pareceu-me tudo mais bonito, mais vivo e mais agradável. Tive uma boa sensação de liberdade. Apesar de tudo, a vida é bela e amarela e vale a pena vivê-la. Vale a pena por tudo, mas sobretudo pelo problema do dente que já não tenho. Nem problema nem dente.
Estou fardo das retóricas da classe política. Também estou farto de notícias contraditórias que todos os dias nos intoxicam, e sobretudo das notícias mentirosas sobre a covid. Já não gostava e não gosto dos painéis de comentadores, políticos, desportivos e outros do género, onde todos os dias diarreias verbais eram despejadas para cima dos telespetadores. A Nelly está a ser atropelada pelos métodos adotados por causa desta crise, ensino à distância. Trabalha mais do que se estivesse na escola. Que saudades ela tem dos tempos em que tinha de aturar as traquinices dos seus pestinhas. Ironias…
O Fernando Miguel sente a falta dos seus aparelhómetros ginasiais. Faz exercícios diversos durante tanto tempo que dói só de ver.
Tomamos muito mais café e fazemos mais lixo que o habitual. O tempo passa demasiado devagar e a curva descendente da covid nunca mais acontece!
Temos de ter paciência, calma e força de vontade e acreditar no milagre da divina providência.


COMENTE - CLIQUE AQUI